Entender as emoções é o primeiro passo para lidar com elas

No momento, você está visualizando Entender as emoções é o primeiro passo para lidar com elas

Muitas pessoas aprenderam a esconder, controlar ou ignorar o que sentem. Outras percebem apenas que estão “mal”, mas encontram dificuldade para identificar se estão tristes, ansiosas, frustradas, com medo ou com raiva.

Compreender e nomear as emoções pode ajudar a organizar a experiência interna. Quando reconhecemos o que estamos sentindo, conseguimos observar melhor nossas necessidades e escolher como agir, em vez de apenas reagir impulsivamente.

Para que servem as emoções?

As emoções não são sinais de fraqueza. Elas cumprem funções importantes e oferecem informações sobre o que está acontecendo conosco.

O medo pode alertar sobre uma possível ameaça. A tristeza pode indicar uma perda ou frustração. A raiva pode aparecer quando percebemos uma injustiça ou quando algum limite foi ultrapassado. A alegria sinaliza experiências de satisfação, proximidade e realização.

Isso não significa que toda emoção represente exatamente o que está acontecendo. Às vezes, nossa reação também é influenciada por experiências anteriores, crenças e interpretações.

O que a TCC nos ensina?

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, compreendemos que pensamentos, emoções e comportamentos estão relacionados.

Diante de uma mesma situação, duas pessoas podem sentir emoções diferentes porque interpretam o acontecimento de maneiras distintas.

Por isso, uma pergunta importante é:
“O que passou pela minha cabeça quando comecei a me sentir assim?”

Identificar esse pensamento ajuda a verificar se a interpretação está adequada ao momento atual ou se está aumentando o sofrimento.

E a Terapia do Esquema?

A Terapia do Esquema ajuda a compreender emoções intensas que parecem maiores do que a situação presente.

Algumas experiências podem ativar padrões antigos relacionados a abandono, rejeição, fracasso, desconfiança ou exigência excessiva. Nesses momentos, a pessoa não reage apenas ao que aconteceu agora, mas também às marcas emocionais construídas ao longo da vida.

Compreender esse padrão permite diferenciar o presente da própria história e desenvolver uma resposta mais saudável.

Como identificar melhor o que você sente?

Quando perceber uma mudança emocional, procure fazer uma pausa e perguntar:
O que aconteceu?
O que estou pensando sobre isso?
O que sinto no meu corpo?
Qual emoção se aproxima mais do que estou vivendo?
Do que preciso neste momento?

Em vez de dizer apenas “estou mal”, tente ser mais específico:
Estou frustrado porque esperava outro resultado.”
“Estou insegura porque não sei o que acontecerá.”
“Estou triste porque me senti pouco acolhida.”

Pesquisas indicam que diferenciar as emoções está associado a respostas mais adequadas diante de experiências emocionais intensas. Entretanto, dar um nome ao sentimento não resolve tudo sozinho: é necessário também compreender sua origem, aceitá-lo e escolher uma forma saudável de responder.

Como a psicoterapia pode ajudar?

A psicoterapia pode ajudar a ampliar o vocabulário emocional, reconhecer pensamentos automáticos, compreender padrões antigos e desenvolver estratégias de regulação emocional.

Uma ampla revisão científica encontrou evidências de que intervenções psicológicas, especialmente as baseadas em Terapia Cognitivo-Comportamental, podem reduzir dificuldades de regulação emocional em adultos.

Aprender a lidar com as emoções não significa deixar de sentir. Significa acolher o que aparece, compreender sua mensagem e decidir como agir.

Você costuma identificar o que está sentindo ou percebe apenas que alguma coisa não está bem?

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico.

Referências

López-Pérez, B. et al. (2024). Interventions targeting emotion regulation: a systematic umbrella review. Journal of Psychiatric Research.
Pilkington, P. D. et al. (2024). Early maladaptive schemas, emotion regulation difficulties and alexithymia: a systematic review and meta-analysis. Clinical Psychology & Psychotherapy.
Nook, E. C. (2021). Emotion differentiation and mental health: current understanding and open questions. Frontiers in Psychology.
Leahy, R. L., Tirch, D., & Napolitano, L. A. (2013). Regulação emocional em psicoterapia: um guia para o terapeuta cognitivo-comportamental. Artmed